Posts de Fevereiro, 2008

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maybe tomorrow

Fevereiro 29, 2008

Pra quem pensou que a dor de cotovelo tinha se apoderado do meu ser, venho através deste comunicar que faz um dia belissimo lá fora.

Eu acordei cedinho, com um feixe de luz que atravessava a persiana, contrariando as previsões de céu nublado/neve/mau-humor/patati e patata. Não dá pra ignorar um feixe de luz na cara da gente, as 7 da manhã, em pleno inverno. Não, não dá.

Dessa vez vai ser diferente, só porque eu quero assim =]

E quem quiser ir pro show dos Stereophonics comigo, é só pegar um avião que ainda dá tempo. Os ingressos estão na mão.

I wanna breeze and an open mind
I wanna swim in the ocean
Wanna take my time for me
All me

So maybe tomorrow
I’ll find my way home

 

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acabou a coerência nesse mundo de meu Deus

Fevereiro 28, 2008

Não se pode culpar alguém por ter deixado de gostar de você, isso acontece mesmo. Não dá nem mesmo pra dizer que foi repentino, que não esperava… é que as vezes a verdade passa se esfregando na cara da gente, mas se fecha os olhos, se procura uma desculpa mirabolante qualquer pro que deveria ser tão obvio. Tudo faz sentido agora.

Eu sou um tanto enorme de justa, eu sou um bocado de legal e sim, acontece mesmo de eu manter relacão amigável com pessoas que me sacaneiam, mas sangue de barata já é putaria.

Você não pode terminar comigo num dia e esperar que eu aceite que me acompanhe no show 4 dias depois. Pra quê? Você nem conhece a banda, nem queria dormir tarde em dia de semana, nem quer mais continuar comigo. Pra quê isso agora? Os ingressos são meus, larga na portaria, joga pela janela, manda pelo correio, mas me poupe do desprazer de ter que te encontrar.

E digo mais, vá pra puta que te pariu!

Ai… bem melhor agora.

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Hay que endurecer, pero perder la ternura jamás

Fevereiro 25, 2008

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Sabe quando os teus pais dizem que a juventude de hoje está perdida, como se esquecessem o auê de “sex, drugs & rock’n roll” dos anos 60 e 70, época da juventude deles? Ou as vovózinhas que falam “na minha época, só casando” mas esquecem de ressaltar que se casavam aos 14 anos e tinham uma penca de filhos (a minha teve 11, 1 a cada 2 anos)? Não precisa nem ir muito longe, nós mesmos vivemos a repetir que nós tivemos a melhor infância de todas e, nessa hora, ninguém lembra quão breguinhas nós fomos, né? O que eu quero dizer é que a gente tende a salientar o lado bom do que passou e não volta mais, simplesmente porquê não volta mais, portanto é incontestável. 

Choque cultural. 

É isso!  

Quando submetido a condicões diferentes das quais está habituado, você irá se apegar ao que passou, mascarando todos os aspectos ruins e exaltando as partes boas, vai sentir  saudade do que nem existiu, mas tudo bem, está valendo, já que a memória é sua e você faz com ela o que quiser.  Agora continua comigo e imagina o que acontece quando você vai morar em outro país, em outro continente, em outro hemisfério, com outro clima, com história completamente diferente, portanto comportamento ABSURDAMENTE diferente do seu.  

Chegou até aqui?  Pois é, choque cultural elevado a milionésima potência, prazer em conhecê-lo! 

Foi por isso que eu vesti um patriotismo exacerbado e, apesar de identificar perfeitamente os benefícios do estilo de vida escandinava, senti (sinto) muita falta do meu país, aí tratei de achar pontos negativos nas coisa boas da Suécia, virei o jogo e pronto: o Brasil ganhou. Tudo lá tinha mais cor que aqui (e tem mesmo, poxa), mais tempero, mais vida, mais amores.  Deve ser por isso também que eu fiquei tão decepcionada e agora estou aqui escrevendo esse post, meio amargurado, de idéias desconexas. 

Hoje eu fui tomar um cafézinho com um brasileiro que chegou aqui há pouco tempo, ele está sendo transferido pra cá e eu me prontifiquei a encontrá-lo pra contar um pouco sobre as minhas impressões do lugar… quem sabe ajudá-lo de alguma forma a se adaptar, porque na minha súbita “xenofobia às avessas”, o fato de ele ser brasileiro o tornava a pessoa mais legal de todos os tempos pra sempre num raio de 100 quilômetros, amém! 

Tomei na cara! 

O que posso dizer? A impressão que tive é de que ele não conseguia me enxergar na sua frente, literalmente. Tinha o olhar perdido, não esboçava nenhuma emoção, frio tal qual um cubo de gelo.

Durante a nossa conversa ELE me deu dicas sobre como se adaptar a Estocolmo, ELE me contou como é o comportamento das pessoas aqui, ELE me disse o quão fácil é pra estrangeiros conseguirem empregos falando apenas inglês e eu, que estava tão surpresa com o comportamento dele, preferi me calar, mesmo sabendo por A + B que não é bem assim.   

Não foi nada de tão sério assim, eu sei, mas serviu pra me lembrar que toda generalizacão é burra. Eu me enchi de expectativas por ele ser brasileiro e deu no que deu, enquanto isso, não consigo me lembrar de uma só vez em que um sueco (que é taxado como povo ”frio”) tenha feito com que eu me sentisse tão insignificante tal qual o cocô do cavalo do bandido, quanto este meu “patrício” fez.

E tem mais, a cereja na pontinha do sorvete foi quando ele me contou que já morou fora por um tempo, e não teve dificuldades de se adaptar, que o difícil mesmo é a readaptação, porque quando você mora em outro país, você muda muito… aí volta pro Brasil e percebe que as pessoas pararam no tempo ¬¬ 

Olha, eu acho sim que quando se viaja pra outro país você aprende muitas coisas, muda em muitos sentidos, mas o fato de você ter tido essa oportunidade não te faz melhor do que ninguém, repito: NINGUÉM. 

Diferente dele, o meu maior receio, é voltar pra casa e ver que as coisas não estão ali no lugarzinho em que eu as deixei, e eu sei de antemão que não estarão. Só nos ultimos 7 meses, meus amigos já mudaram de emprego, de profissão, de casa, de cidade, de namorada, a minha família cresceu, pintaram o meu prédio, teve gente que casou, teve gente que decidiu não falar mais comigo, a novela das 8 terminou e eu nem soube que fim levou o vilão.  

Eu tenho pavoooor de voltar pra casa e não pertencer, e não ter sobre o que falar, considerando que eu vou ter perdido as notícias de 1 ano inteiro. Medo que as pessoas me evitem, achando que eu só sei conversar sobre minha experiência no exterior… medo de ser que nem esse cara. 

Morar fora do país muda a gente mesmo, “…pero perder la ternura jamás”