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Hay que endurecer, pero perder la ternura jamás

Fevereiro 25, 2008

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Sabe quando os teus pais dizem que a juventude de hoje está perdida, como se esquecessem o auê de “sex, drugs & rock’n roll” dos anos 60 e 70, época da juventude deles? Ou as vovózinhas que falam “na minha época, só casando” mas esquecem de ressaltar que se casavam aos 14 anos e tinham uma penca de filhos (a minha teve 11, 1 a cada 2 anos)? Não precisa nem ir muito longe, nós mesmos vivemos a repetir que nós tivemos a melhor infância de todas e, nessa hora, ninguém lembra quão breguinhas nós fomos, né? O que eu quero dizer é que a gente tende a salientar o lado bom do que passou e não volta mais, simplesmente porquê não volta mais, portanto é incontestável. 

Choque cultural. 

É isso!  

Quando submetido a condicões diferentes das quais está habituado, você irá se apegar ao que passou, mascarando todos os aspectos ruins e exaltando as partes boas, vai sentir  saudade do que nem existiu, mas tudo bem, está valendo, já que a memória é sua e você faz com ela o que quiser.  Agora continua comigo e imagina o que acontece quando você vai morar em outro país, em outro continente, em outro hemisfério, com outro clima, com história completamente diferente, portanto comportamento ABSURDAMENTE diferente do seu.  

Chegou até aqui?  Pois é, choque cultural elevado a milionésima potência, prazer em conhecê-lo! 

Foi por isso que eu vesti um patriotismo exacerbado e, apesar de identificar perfeitamente os benefícios do estilo de vida escandinava, senti (sinto) muita falta do meu país, aí tratei de achar pontos negativos nas coisa boas da Suécia, virei o jogo e pronto: o Brasil ganhou. Tudo lá tinha mais cor que aqui (e tem mesmo, poxa), mais tempero, mais vida, mais amores.  Deve ser por isso também que eu fiquei tão decepcionada e agora estou aqui escrevendo esse post, meio amargurado, de idéias desconexas. 

Hoje eu fui tomar um cafézinho com um brasileiro que chegou aqui há pouco tempo, ele está sendo transferido pra cá e eu me prontifiquei a encontrá-lo pra contar um pouco sobre as minhas impressões do lugar… quem sabe ajudá-lo de alguma forma a se adaptar, porque na minha súbita “xenofobia às avessas”, o fato de ele ser brasileiro o tornava a pessoa mais legal de todos os tempos pra sempre num raio de 100 quilômetros, amém! 

Tomei na cara! 

O que posso dizer? A impressão que tive é de que ele não conseguia me enxergar na sua frente, literalmente. Tinha o olhar perdido, não esboçava nenhuma emoção, frio tal qual um cubo de gelo.

Durante a nossa conversa ELE me deu dicas sobre como se adaptar a Estocolmo, ELE me contou como é o comportamento das pessoas aqui, ELE me disse o quão fácil é pra estrangeiros conseguirem empregos falando apenas inglês e eu, que estava tão surpresa com o comportamento dele, preferi me calar, mesmo sabendo por A + B que não é bem assim.   

Não foi nada de tão sério assim, eu sei, mas serviu pra me lembrar que toda generalizacão é burra. Eu me enchi de expectativas por ele ser brasileiro e deu no que deu, enquanto isso, não consigo me lembrar de uma só vez em que um sueco (que é taxado como povo ”frio”) tenha feito com que eu me sentisse tão insignificante tal qual o cocô do cavalo do bandido, quanto este meu “patrício” fez.

E tem mais, a cereja na pontinha do sorvete foi quando ele me contou que já morou fora por um tempo, e não teve dificuldades de se adaptar, que o difícil mesmo é a readaptação, porque quando você mora em outro país, você muda muito… aí volta pro Brasil e percebe que as pessoas pararam no tempo ¬¬ 

Olha, eu acho sim que quando se viaja pra outro país você aprende muitas coisas, muda em muitos sentidos, mas o fato de você ter tido essa oportunidade não te faz melhor do que ninguém, repito: NINGUÉM. 

Diferente dele, o meu maior receio, é voltar pra casa e ver que as coisas não estão ali no lugarzinho em que eu as deixei, e eu sei de antemão que não estarão. Só nos ultimos 7 meses, meus amigos já mudaram de emprego, de profissão, de casa, de cidade, de namorada, a minha família cresceu, pintaram o meu prédio, teve gente que casou, teve gente que decidiu não falar mais comigo, a novela das 8 terminou e eu nem soube que fim levou o vilão.  

Eu tenho pavoooor de voltar pra casa e não pertencer, e não ter sobre o que falar, considerando que eu vou ter perdido as notícias de 1 ano inteiro. Medo que as pessoas me evitem, achando que eu só sei conversar sobre minha experiência no exterior… medo de ser que nem esse cara. 

Morar fora do país muda a gente mesmo, “…pero perder la ternura jamás”

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pelo fim dos murros em ponta de faca

Janeiro 17, 2008

Don’t worry about it, honey. I never needed anybody.
I never needed anybody, it won’t change now.

-The Strokes

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o ultimo do ano

Dezembro 31, 2007

Como sempre, fazendo as coisas na ultima hora, me dei conta de que não podia deixar passar 2007 assim, sem dizer nada. Afinal de contas, 2007 foi um ano de correr atrás, de lutar pelos sonhos, de arriscar… e mais ainda, não podia deixar comecar 2008 sem uma palavrinha de boas vindas, não esse 2008 que promete tantas coisas boas, as recompensas pelos meus esforcos.

São 23:22 e já dá pra ouvir alguns fogos de artificio lá fora, eu preciso me vestir e ir ver a queima de fogos as margens do Danubio, e pode ter certeza que vou estar pensando em você.

Como não dá mais tempo, faco minhas as palavras de Victor Hugo:

“Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.”

 
Feliz 2008!!!

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Alguém aí precisa de uma porta nova?

Dezembro 3, 2007

porta 

Ana passou a semana inteira com a chave do apartamento, adiando a mudança. A principio tinha decidido que ia levar as coisas aos pouquinhos, pra finalmente mudar pro apartamento novo no sábado.  

Já era sexta-feira e nada.

Ela empacotou o que achava que poderia carregar e foi. Deparou-se com um aviso na porta. Aviso em ininteligivel sueco, claro. Mas Ana é uma garota esperta e já estuda sueco faz 1 mes. Se ela entendeu o que estava escrito ou se alguém contou pra ela, eu não sei, só sei que o aviso dizia mais ou menos assim: “houve um arrombamento neste apartamento, por favor dirija-se a delegacia de polícia” .  

Assalto? Você está brincando! 

Isso foi o que a Ana escutou quando ligou pra amiga que ia dividir o apartamento, quando falou com a dona do apartamento e quando contou pros amigos porque estava chegando atrasada no jantar. 

Não é brincadeira, não! Assalto no primeiro mundo, sim senhor! Mas nada muito alarmante, é que as meninas moram numa das áreas conhecidas como mais problemáticas de Estocolmo, devido a grande concentração de imigrantes. Imigrantes, que nem nós. Rá! 

Pois bem, alguém arrombou a porta, revirou algumas coisas na sala e levou uma nota de 50,00 kronos (+ ou – 5,00 euros) que estava em cima da mesa. Mais nada. Não levou TV, DVD, nada… só a notinha de 50 kronos que era o “troco” da primeira mensalidade do aluguel. O bilhete foi deixado na porta pela polícia, que quando notificados pelos vizinhos sobre o arrombamento, trataram de trocar a porta por uma muito mais segura (que certamente custou mais de 5 euros) e pediram que a Ana fosse até a delegacia pegar suas chaves novas. 

Precisando de uma porta nova… já sabe! 

Agora me dá Licença, que esse recado vai pra minha mãe: Mãezinha, não precisa se preocupar, tá? Eu moro numa região central, mais segura, com policiamento, cheia de suequinhos loirinhos e poucos estrangeiros além de mim. Não, eles não vão pensar que eu vou rouba-los. Não, ninguém me olha feio. Pode deixar que eu vou tomar cuidado!

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7 motivos pra começar a gostar de café!

Dezembro 2, 2007

CaféCaféCafé 

Logo que cheguei aqui, 11 entre cada 10 pessoas me olharam boquiabertas após ouvir o meu “não, obrigada” pros convites pra tomar um cafézinho. Invariavelmente, o diálogo pós mini-deslocamento maxilar era assim: 

- Mas você não é brasileira?

- Sou sim…

- E não toma café?

- Pois é, eu não gosto muito de café… 

suspiram espantados pra só então concluirem com um: 

- Acredite-me, você passará a gostar! 

Ha-ha-ha, até parece. Eu passei os ultimos 24 anos sem dar muita trela pra café, não vai ser agora que irei começar. 

Ledo engano, ledo engano… 

Menos de 4 meses depois, eu já me pego recorrendo a maquininha de café, sozinha!  

Antes que minha mãe se apavore com o fato de eu ter sido tão facilmente influenciada, aqui vão 7 boas razões pra se tornar fã número 1 do cafézinho. 

. não ter que explicar repetidamente que você é a exceção entre os outros 191.790.000 brasileiros (supostamente) aficcionados por café; 

. no frio é sempre bom beber alguma coisa quentinha; 

. a cidade está cheia de Cafés super charmosinhos, perfeitos pra uma tarde de domingo, com uma boa companhia ou um bom livro, uma variedade enorme de tortas e sanduiches deliciosos; 

. no inverno aqui o sol nasce as 9 da manhã e se põe as 3 da tarde. Até que se acostume com isso, você precisa de umas boas doses de cafeína pra se manter acordada; 

. na empresa tem muitas, mas muuuuuitas máquinas de café, de todos os tipos. Dá pra ir testando até encontrar o que você gosta mais; 

. perto das máquinas tem sempre uns sofás bem “bons”, pra você se largar por lá e esquecer do trabalho um pouquinho, enquanto toma seu café; 

. Poder interagir com os colegas de trabalho no tradicional “Fika”, que é o ápice da socializacão sueca. Ah não entendeu? Sabe aquelas reuniõezinhas que a gente organiza no escritório, que cada um traz alguma coisa, ou melhor, as mulheres levam alguma coisa de comer, os homens levam o refrigerante, tudo desculpa pra interromper o trabalho? Isso mesmo, aqui tem também. Só que ao invés da torta de ovomaltine da Lucia, os salgadinhos mais baratos que a “cotinha” conseguiu pagar e uma coca bem gelada, aqui você comerá “café e bolo”. ou melhor, café e um pão doce, com uma gosma verde de gosto esquisito. pode ser também um “docinho” que à distancia parece brigadeiro, mas acaba se revelando super sem graça. As desculpas pra fazer um “fika” são tão esfarrapadas quanto no Brasil… eu só não consigo parar de pensar: Cadê a coca???

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os 7 maiores mitos

Outubro 21, 2007

. os suecos são loiros . é, eles são. Algumas criancinhas têm a cabeca branca, de tão loirinhas… mas a Suécia têm recebido muitos imigrantes desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o que acabou por colorir um pouco a cabeleira desse povo. 

. e agora, você vai ter que aprender sueco? Not at all! Eu fico impressionada como todo mundo, e eu digo todo mundo, incluindo o cara que veio consertar a pia da cozinha e aquele velhinho de bengala que segurou a porta do elevador… eles todos falam inglês. e muito bem. 

. a Suécia tem ótimos chocolates e relógios . Não, cara… essa aí é na Suíça. 

. as pessoas são muito frias e fechadas . depende da circunstâncias em que você conhecê-las. Na empresa eles são simpáticos, porém superficiais. Os vizinhos até te cumprimentam no corredor, mas não tem a mínima chance de isso se repetir se você encontra-los na padaria da esquina (aliás, aqui não se vai na padaria da esquina). Se algum sueco, que não trabalha com você e não é amigo dos teus amigos, te tratar bem, assim sem mais nem porquê, pode crer que na árvore genealógica dele tem pelo menos um galhinho estrangeiro ou ele já está na “garupa do Bozo”. MINTO! Eu conheci um trainee norueguês (que vem do mesmo saco de farinha dos suecos) que é simplesmente um amor. Sim, um amorzinho de pessoa (além de muito gato). Super legal, gentil e sempre me cumprimenta com não só um, mas doooois beijinhos no rosto. Não, ele não é gay. Ele tem namorada. Lá na Noruega. hohoho

. faz muito frio . estamos no outono e já chegou a -4C, pois é, imagine o inverno.

. as pessoas são muito bonitas . claro que tem feios também… mas os belos são tão belos, que ofuscam a feiura ao seu redor.

. o custo de vida é muito alto . É mesmo… mas o meu salário de trainee não contribui muito.

Got it? ;)

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1, 2, 3… testando!

Setembro 27, 2007

 Ah, já pode comecar? 

Então tá valendo: 

Depois de outros 6 blogs que não tiveram continuidade, aqui estou eu, escrevendo o primeiro post pela sétima vez. É, sétima vez… mas não se engane, é tão difícil faze-lo agora quanto em todas as vezes anteriores.  

Apesar da minha comprovada incapacidade de terminar o que comeco, estou sentindo que sete é o número da sorte, o campeão, o que veio pra ficar. Basta “jogar” no google pra ver a quantidade de ocorrências “místicas” pro número 7.

Viu?  

. Eram 7 as maravilhas da humanidade;

. 7 notas musicais;

. quebrar um espelho dá 7 anos de azar (ou beber sem brindar… você sabe o quê)

. 7 palmos das sepulturas;

. 7 anões da Branca de Neve (=P)

. 7 dias para a criação do Mundo;

. 7 pecados capitais, além de muitos outros “setes” em passagens Bíblicas. 

Deixa eu mudar de assunto antes que você pense que entrei pra uma seita numerológica na Suécia… 

Sabe como é morar longe de casa, né? Dá uma saudade danada, são muitas histórias pra contar e, encontrar alguém pra conversar no seu próprio idioma, não é das tarefas mais fáceis. Então fica assim, os meus e-mails sarcásticos serão substituídos por simpáticos posts nesse espaço virtual.  

… e que o alívio resfrescante que os e-mails trouxeram à minha vida até agora continue com esse blog! 

PS: Só agora reparei que este post foi escrito em 27 de setembro de 2007. Creepy, huh?